sábado, 14 de novembro de 2009

Eu matei você com um Nova York



Eu matei você quando falei Nova York. Sem querer, eu acabei matando você quando cantei Nova York. Não me lembro quem estava cantando aquela música no rádio. Agora mais calma e situada no tempo, suponho que era uma daquelas bandas inglesas da moda. Pois tinha aquela batidinha marcada e rápida típica do rock inglêsUM CLARÃO OFUSCANTE E MUITO GRANDE ENGOLE NOSSO CARROeu adorava aquela músicaBUZINAS DISPARAM. TUDO ACONTECE RÁPIDOnova yorkOS VIDROS EXPLODEM EM ESTILHAÇOS COMO SE FOSSEM PÓLVORA INFLAMADAa música sumiu no ar surdo dos giros que damos na pista molhadaEU E VOCÊ PARAMOS DE CANTAR A MÚSICA DAQUELA BANDA INGLESA QUE EU GOSTOvocê sangrava tanto e o seu vermelho continuava tão vivo mesmo estando fora das suas veiasAPOSTO QUE VOCÊ NEM ADIVINHA QUE TE ACHO LINDO DE OLHOS FECHADOSvocê ficou tão calmo enquanto parecia dormirA MÚSICA PAROUo disco se quebrouVOCÊ NEM FEZ A BARBA ANTES DE SAIRMOS DE CASAo torpor melancólico da cinza da fumaça dos motores. o forte cheiro de gasolinaVOCÊ NEM SE IMPORTA COM ISSO. VOCÊ CONTINUA CALMO, ACOLHIDO NO CALOR DO SONOvocê continuava calmo, acolhido no calor do sonoVOCÊ NEM SE TOCA QUE A MÚSICA PAROUnova yorkNOVA YORKboa noiteBOA NOITE.

Fernando Igrejas

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Vivi a personagem em meio a um turbilhão de acontecimentos e pensamentos; me vi inquieta e ansiosa, perdida em minhas próprias idéias como se o tempo não estivesse ao meu favor e ao mesmo tempo fosse meu grande aliado

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  3. Vc pegou TUDO o que eu quis dizer!!!!
    que booooommmm!!!!

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